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A eleição de 2020 para a Umbanda


 

Está na hora de elegermos o(a) nosso(a) representante na Câmara de Vereadores de Curitiba e nos demais municípios onde isso seja possível. Por certo, a existência de um(a) vereador(a) que se intitule fiel e/ou simpatizante das Religiões de Matriz Africana ajudará na legitimação da Umbanda, Candomblé e demais.

Ninguém deve esconder as suas convicções religiosas, haja vista a garantia constitucional inscrita na Constituição Federal de 1988, a "Constituição Cidadã" que diz em seu Título II, Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo I, Dos Direitos e Deveres individuais e Coletivos, Artigo 5°:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Inciso VI - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

 Inciso VII - É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

Inciso VIII - Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.


Entretanto, não é bem assim no dia a dia dos Umbandistas, muitos tem que esconder a suas convicções religiosas por que podem ficar sem emprego, ser motivo de chacota nas escolas ou ser hostilizado por vizinhos, e isso acontece em pleno século XXI, inclusive em cidades como Curitiba, tida e havida como uma cidade moderna e avançada em termos de respeito aos cidadãos.


Além disso, diariamente nossos Dirigentes Espirituais (Pais e Mães de Santo) são ridicularizados na televisão (que é uma concessão pública) e os nossos Terreiros são vítimas de vizinhos inconformados com o nosso canto e os toques dos atabaques, mesmo quando atendem os limites de emissão sonora fixados em lei.


Os agentes públicos, a quem compete a execução e o respeito ao ordenamento legal do país, muitas vezes desconhecem ou teimam em ignorar o direito irrestrito ao funcionamento dos terreiros, o reconhecimento dos nossos símbolos sagrados e ás características dos nossos cultos, que tem as palmas, os cantos e os toques de atabaques como essenciais.

E isso acontece por quê? Porque embora a Umbanda seja uma religião legitimamente brasileira, temos as nossas raízes firmemente fincadas no chão do continente Africano, nas religiões dos Orixás, trazidas para cá, pelos milhões de negros africanos escravizados ao longo de mais de 350 anos da história do Brasil, e nos ameríndios, habitantes originais dessa terra, que aqui já viviam e foram dizimados quando os europeus chegaram por conta das cobiçadas riquezas do nosso país.

Assim, até hoje persiste a discriminação porque somos originários dos cultos afro e ameríndios, que resistiram e resistem à erradicação da sua cultura e da sua ancestralidade.

Por isso, no dia 15 de novembro, dia da Umbanda e dos Umbandistas, vamos vestir a nossa roupa branca e votar em pessoas que efetivamente vão nos representar nos executivos e legislativos municipais em todo o Brasil! Axé!

Sou do Axé...e o meu voto também é!

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