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Sequestro de Maduro e a nova ordem mundial

   


Ao analisar as razões por trás do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, é fundamental levar em conta o cenário geopolítico atual. Recentemente, o governo de Donald Trump lançou sua estratégia de segurança nacional, trazendo mudanças importantes nas prioridades do país. Um ponto central é o chamado "Corolário Trump" da Doutrina Monroe, que recomenda manter a América Latina longe da influência de outras potências estrangeiras, leia-se Rússia e China.

Segundo a imprensa internacional, o governo venezuelano relaciona as ações militares dos EUA, especialmente os ataques a embarcações supostamente envolvidas com tráfico de drogas, a uma tentativa de pressão política e econômica. Para o governo venezuelano, a intenção norte-americana é provocar uma mudança de governo e garantir acesso irrestrito às reservas de petróleo locais, as maiores do mundo, refletindo anos de tensão entre Washington e Caracas.

Trump declarou que vai governar a Venezuela e permitir a exploração do petróleo venezuelano pelas petroleiras norte americanas.

As autoridades norte-americanas alegaram oficialmente combater o tráfico de entorpecentes na região, mostrando preocupação com a segurança regional. Contudo, o aumento das ações militares próximas à Venezuela e a presença no Mar do Caribe revelaram os interesses estratégicos dos EUA em manter influência no Atlântico Sul e proteger rotas comerciais e energéticas.

A justificativa dessas ações segue um padrão já utilizado em intervenções anteriores dos EUA, onde motivos como democracia ou armas de destruição em massa encobriam objetivos reais relacionados à exploração de recursos naturais. Este histórico faz pensar que as verdadeiras motivações possam englobar tanto questões de segurança quanto interesses econômicos e políticos, exclusivamente, dos EUA.

Independentemente dos motivos apresentados, é essencial destacar o princípio da soberania dos povos e o respeito ao direito internacional, rejeitando o uso da força militar para resolver disputas. O diálogo e a busca pela paz devem sempre prevalecer.

Essa sensação contraditória decorre da consciência histórica de que, em momentos de decadência, grandes potências tendem a agir de maneira ainda mais brutal contra países sob seu domínio. Após derrotas econômicas diante da China e insucessos militares da OTAN diante da Rússia na Ucrânia, os EUA parecem decididos a manter controle sobre a América Latina, considerada estratégica.

Por consequência, as intervenções imperialistas tornaram-se mais agressivas na região, mirando países latino-americanos que resistem às imposições oriundas da Casa Branca. Além da esmagadora superioridade militar, os EUA também detêm o poder das principais plataformas digitais e de seus algoritmos.

Dessa forma, enquanto a Venezuela enfrenta cerco militar direto, outras nações como México, Brasil e Colômbia são alvo de manipulações digitais que incentivam insatisfação e protestos, buscando enfraquecer governos que recusam submeter-se integralmente aos interesses dos Estados Unidos.

Agora, com o sequestro de Maduro e a sua provável prisão e julgamento nos EUA, repete-se o caso de Noriega que sofreu semelhante incursão militar em território panamenho no final do século passado, e pior, aumenta a instabilidade na América Latina e Caribe.

Não se descarta a possibilidade de outras intervenções do governo norte-americano em países cujos governantes não se alinhem a nova estratégia de segurança nacional de Trump, que visa, exclusivamente, ter o controle dos recursos minerais necessários para a manutenção do estilo de vida dos EUA.

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