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Beauvoir e Sartre


Em 09/01/1908 nasceu a escritora Simone de Beauvoir.
Simone Lucie-Ernestine-Marie-Bertrand de Beauvoir, falecida 1986, ficou conhecida, principalmente pelo livro O Segundo Sexo (Le Deuxième Sexe), publicado em 1949 que se transformou num clássico da literatura, e ela numa figura proeminente do movimento feminista em todos os tempos.
Manteve uma relação com Jean Paul Sartre por 51 anos, até a morte deste em 1980.
Entretanto, durante a sua vida, Beauvoir preocupou-se com a responsabilidade ética que o indivíduo tem com ele, com outros indivíduos e com grupos oprimidos. Em Pyrrhus et Cinéas publicado em 1944 ela aborda a questão da responsabilidade ética a partir de uma estrutura existencialista. Escrito num momento em que a França via-se devastada e que buscava uma saída para a escuridão do II Guerra Mundial. 
“Começa como uma conversa entre Pirro, o antigo rei de Épiro, e seu principal conselheiro, Cineas, sobre a questão da ação. Cada vez que Pirro faz uma afirmação de que terra ele vai conquistar, Cineas pergunta a ele o que ele fará depois? Finalmente, Pirro exclama que ele descansará após a realização de todos os seus planos, aos quais Cineas responde: "Por que não descansar imediatamente"? 
O ensaio é, assim, enquadrado como uma investigação sobre os motivos da ação e a preocupação existencial com a razão pela qual devemos agir. Para a filosofia existencialista a essência humana é construída durante sua vivência, a partir das escolhas, uma vez que possui liberdade incondicional. Em outras palavras, a corrente existencialista prega que o homem é um ser que possui toda a responsabilidade por meio de suas ações.
Assim como o livro “O Segundo Sexo”, o existencialismo cabe como luva nesse momento que o Brasil está entrando e assim, republico duas frases que considero extremamente oportunas:
“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”
Simone de Beauvoir (1908-1986)

“Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós." 
Jean Paul Sartre (1905-1980).

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